Vivam! Um dia resolvi fazer um baixo á medida, com tudo o que havia de bom. Peguei num Washburn XB-400, por sinal, um dos melhores baixos de gama baixa e "chipei-o". PUs e pré Bartolini, tampa da electrónica e pilha em acrílico transparente, pintura personalizada do logotipo feita pelo meu grande amigo e não menor artista Fernando Jorge, descascado e encerado á maneira. Mas não tinha bem "aquele som"... Os fabricantes e luthiers passam muitos dispendios a aprumar os seus intrumentos e muitos também não soam e somos nós que faremos melhor? Ora... esqueçam lá isso. Parti então em busca do SOM PERFEITO. E muitos baixos depois, encontrei dezenas de instrumentos excepcionais.
     Estas páginas não pretendem ser mais do que uma amostragem e um registo de informações que para mim foram úteis e que poderão ter alguma curiosidade para os amigos baixistas.

1
FENDER
MUSICMAN
YAMAHA
KRAMER
JAYDEE
G&L

2
BASS COLLECTION
IBANEZ
RICKENBACKER
ZON
STATUS
PEDULLA
ALEMBIC

3
PEAVEY
WARWICK
KUBICKI
ARIA PRO II

4
GIBSON
TOBIAS
WAL
FODERA
KEN SMITH
JERZY DROZD
SCHACK


 

 

      Nos tempos idos de 1983, o primeiro baixo foi mesmo uma guitarra acústica com um microfone enfiado lá dentro e fita cola a fixar o cabo para não estorvar as cordas! E depois, já nos palcos a sério, uma cópia da Fender Telecaster Bass, que foi emprestado pelo Zé Maduro no Escape Livre. O Veríssimo era o teclista e tinha um synth mono Teisco, percursora da Kawai e um Goodin Strings. Era o tempo dos Farfisas, dos FBT, dos EKO e a Furacão vendia amplificadores como tremoços. Estavam a aparecer os primeiros PAs e a aparelhagem do conjunto era um amp com várias entradas apenas para as vozes e bateria e duas colunas com quatro altifalantes full range.

1983, Escape Livre com Veríssimo, Zé Maduro e Paulo Cavadas

1986, Escape Livre com Lita Papel, Zé Maduro e Pedro Simões. O amp aqui era um combo Furacão 15''

    Com 13 contos (65 euros) comprei o primeiro baixo mesmo meu: um Egmond. Sunburst, com cordas com uma cobertura de plástico e um empeno considerável no braço! Durante os anos 60, os irmãos Egmond foram dos maiores luthiers da Europa  na Holanda e mantiveram a actividade até ao início dos anos 80, altura em que a firma faliu por não conseguir concorrer com os novos modelos japoneses. Quando somos putos não pensamos e, então, o pobre baixo foi descascado e pintado com spray. Na cabeça que era sunburst a condizer com o corpo, passou a figurar a inscrição "Fender". Claro... toda a gente queria ter um Fender. Recentemente está activo um site da marca, por curiosidade:  http://www.egmondguitars.nl


 Egmond, Agosto 1985

 

FENDER

MUSICMASTER BASS

   Por falar em Fenders... Este Musicmaster custou 30 contos (150 euros), em 1986. Fui buscá-lo a Vale de Cambra com o nosso amigo Lita Papel, na altura companheiro da banda. Serial xxxxx. E um instrumento de aprendizagem, de escala curta 3/4, 30'', uma versão mais simples do Mustang Bass.
    A Fender produziu estes baixos entre 1971 e 1981. Eram feitos com restos de outros modelos. O corpo era aproveitamento do Mustang e os pickups eram de guitarras, com seis polos e não quatro. No início foram produzidos alguns em azul com guarda-unhas em madre-pérola, mas as cores fundamentais eram o preto, o branco e o vermelho e mais tarde foram introduzidas outras cores de outros modelos. Em 1981 foi lançada a linha Squier e os modelos mais baratos da Fender foram descontinuados. São dos modelos menos valiosos dos vintage Fenders. Ainda assim foram usados por gente famosa como Jim O'Rourke dos Sonic Youth, Alan Lancaster dos Status Quo, Dee Dee Ramone ou Tina Weymouth dos Talking Heads ou o Helder dos Clã..
   

1986, Escape Livre: Lita (guitarra/voz), Zé Maduro (bateria) e Pedro (teclados)

    O baixo aparece no vídeo dos Sacerdotes de Alquimia (1997) filmado pelo João Portugal (esse mesmo), na praia de Vieira de Leiria. O som, contudo, é do MM SR 94.

    Recentemente, em 2010, um segundo MusicMaster igual, serial 550789, de 1974, fez companhia ao primeiro.

1975

1974

 

JAZZ BASS

 O Jazz Bass foi o segundo modelo da Fender, a seguir ao P bass. Foi introduzido em 1960 como "Deluxe Model" e logo rebatizado de "Jazz Bass". O braço é muito fino e tem dois PUs single-coil bobinados á mão, com dois polos para cada corda. O som é mais recortado e médio do que o da P Bass. é um standard e um instrumento imprescindível. Os primeiros modelos tinhas dois botões concenctricos, com volume e tonalidade para cada pickup, nos dois primeiros anos de produção. Em 1961 passou a ter 3 botões, como ainda tem hoje, um volume para cada PU e um botão mais pequeno de tonalidade.
   Em 1965 a CBS comprou a Fender e algumas alterações surgiram. Os pontos passaram a ser de madre-pérola e as cravelhas ovais. Ainda em 1966 os pontos foram substituídos por rectãngulos de madre-pérola e os braços de maple foram disponibilizados como opção em 1967. No princípio, os braços maple tinham os rectãngulos pretos, mais usados em 1973. São muito raros os braços maple dos anos 60, assim como são mais raros os braços rosewood nos anos 70. Nos finais de 74, inicio de 75, a placa de fixação do braço passou para 3 parafusos com um mais pequeno de ajuste da inclinação do braço - tilt. 
     Os números de série eram inscritos até 1965 na chapa do braço, de 1962 a 1965 com um "L" a anteceder. Esta é conhecida por série L. A numeração seguiu até 1974 já sem o L, sempre na chapa do braço. Em 1965 o Logotipo aparece em letras grandes na cabeça e esta ficou conhecida como série "F". Em meados de 1976 o número passou para a cabeça, debaixo do logotipo, antecedido de uma letra referente á década, no caso, "S" de seventies. Nesta altura os baixos ficaram mais pesados, com braços mais bujudos. Esta é uma fase de decadencia que culminou em 1983 com a venda da Fender a um grupo de investidores. O clássico jazz bass voltou a ter a chapa de quatro parafusos e com capas dos pickups em branco. Novos variantes se seguiram, nenhuma conquistando a notoriedade do velho Jazz Bass clássico.
     A datação dos velhos Fenders não pode olhar apenas ao número de série, mas ao conjunto de todas as caracteristicas e numerações do instrumento encontradas no braço, no corpo, nos PUs e potenciómetros. Isso requer algum conhecimento nos números que não os da data e que á frente podemos ver na descrição do Precision Bass de 1974.
      Os números de série até 99999, sem o L, são anteriores a meados de 1963. De 1962 até 1965 a série L distribuiu-se do L00001 ao L9999. A série F, de finais de 1965 a meados de 1976:
       De 100000 ao 300000, de finais de 1965 a 1970
      
De 300000 a 330000, de 1971
       De 330000 a 370000, de 1972
       De 370000 a 520000, de 1973
       De 520000 a 580000, de 1974
       De 580000 a 690000, de 1975
       De 690000 a 750000, de 1976.
       Depois de 1976, a letra indica a década, S e o primeiro algarismo, geralmente é o ano. Mas não é clara a datação de um Fender.
     O meu FJazz cor de madeira com braço maple, de 1974 é um exemplo desta confusão.  Foi o meu instrumento principal durante muitos anos. Comprei-o por volta de 1987 mais uma vez aoLita Papel, por 100 contos (500 euros). Na altura já tinha começado a trabalhar e ganhava o equivalente a 300 euros por mes. Apesar do serial ser  xxxxx  de 1973, tem características introduzidas em 1974 como o pickguard branco e mesmo de 1975, como a placa de 3 parafusos, mas com o serial nela inscrito e o "bullet truss road". Em 1974 o apoio do dedo passou do lado inferior das cordas para o lado posterior.
       Fazem-lhe companhia mais tres vintages, de 72, serial xxxxxx, 73, serial 376xxx, corpo em alder, guarda-unhas tortoise, escala rosewod, pots 13773xx, PUs xxxx73, 3,9 Kg de peso e o característico parafuso longo de afinação das oitavas do E,  e ainda de 74, serial xxxxxx, escala maple, todos devidamente no seu estado original.

1974

Em 1988, no Bar Gladius, atrás do Mosteiro da Batalha. Nesta altura a música dos bares era bossa e clássicos, mais para entreter o ouvido.

1972

1973

1974

Os mesmos de 1972 e 1974

 

PRECISION BASS

   O Audiovox foi o primeiro baixo eléctrico inventado, nos finais dos anos 30. Mas o P Bass em 1951 foi o primeiro baixo eléctrico do Leo Fender a ser produzido em série. Substituiu os contrabaixos e foi uma revolução na altura. O primeiro modelo era baseado na guitarra Telecaster. Em 1957 ganhou a forma que ainda hoje tem, mais próxima da Stratocaster. O PU passou a hambucker e a escala passou a ser rosewood até 1966. As escalas rosewood são mais características dos anos 60 e as maple dos anos 70. O P Bass é o modelo mais copiado de sempre e tem um som standard típico do som Motown, do disco-sound e dos blues e, apesar de não ser um baixo muito versátil, tem um som que o torna indispensável.
    A Fender continuou a produzir o P Bass até aos dias de hoje. Depois de meados de 76 começou a série S, conhecida como decrescente em qualidade. A Fender acabou por praticamente falir em 1983, sendo comprada por um grupo de investidores.  
   A propósito das datas dos Fenders,
reproduzo parte do mail que o baixista italiano Giuseppe Zavanone, dos Ira Zero, a quem comprei o meu P Bass de 74, me enviou e que contém informação útil. Quando estava a negociar com ele, hesitei entre comprar este baixo e um mais recente com a pintura em melhor estado. Ele repondeu-me que, geralmente, um baixo com sinais de uso é porque foi muito usado, porque tem bom som... Se o baixo estiver novo, salvo por outras causas, em princípio é porque foi pouco usado porque, provavelmente não toca tão bem. Ponto de vista curioso...
  
     Hi Fernando! As you see serial code on the pots is end of 73, 74 on the pickups, 74 on the neck stamp. As you can read on Fender site dating page intro: 'due to Fender's modular production methods and often non-sequential serial numbering (usually overlapping two to four years from the early days of Fender to the mid-1980s), dating by serial number is not always precisely definitive'.
       In fact they put easily 600000 for 76, but fender doesn't know so much of its own history (they produce wrong reissue of 75 Jazz bass with 73 black blocks) and you can see that the most reputated site http://www.provide.net/~cfh/fender.html move 74 until 580000. My favourite book: "The Fender Bass An Illustrated History" page 104 puts 74 production on 510000 to 610000. I can give you a copy of this page if you can't reach the book, absolutely a bible to fender collectors.

      O meu primeiro P Bass era fretless, de 1979, comprado ao Amilcar do TV5 por 500 euros por volta de 1990. A Fender só no início dos anos 70 lançou este modelo fretless e, durante anos nunca capitalizou o potencial que Jaco Pastorius deu ao uso do instrumento. Este é de 1974, serial xxxxxx e é o preferido para as sessões de estúdio do Lino Vinagre. No braço tem o código 0103-4945, que se traduz desta maneira: 01=Precision Bass, 03=braço maple com escala rosewood, 49=semana de fabrico, 4=ano (1974), 5=dia útil da semana, sexta-feira no caso. Os baixos mais antigos eram mais leves e tinham melhores escalas. Este pesa apenas 3,7 Kg e, contrariando a ideia de que um instrumento pesado soa melhor, tem muito bom som.
     Ainda para companhia, um de PBass de 1975, braço maple, sunburst que veio acompanhado com o cartão de garantia da Fender e demais papelada, em nome do dono original, em estado novo, ainda com as cordas flatwounds originais. Provavelmente nunca foi tocado. Lá está na parede a render sem se mexer, lol.


1974

1975

JAZZ BASS PLUS

1990

       Em 1990 a Fender começou a produzir o FJ Plus de 5 cordas, um ano depois do modelo de 4 cordas. Tinha 22 frets, escala de pau ferro, corpo em amieiro (alder), hardware Schaller e electrónica do Philip Kubicki, com um comutador de 3 posições - activo, passivo e mute e com os Sensor-Lace PUs da Fender, activo de 9 volts. Este tem o serial N003050. Os guias das cordas e os botões são dos Kubicki.  O Kubicki produz com o seu nome um dos baixos mais singulares e com o som mais interessante que existe, o modelo Factor e Ex-Factor, que mais adiante veremos. Aqui podemos ler  como trabalhou pela primeira vez na Fender, em 1963, a fazer guitarras acústicas. Trabalhou lá nove anos:

 http://www.vintageguitar.dreamhosters.com/1763/philip-kubicki/

    Voltou á Fender nos finais dos anos 80 e lá trabalhou na Custom Shop no inicio do contrato com a Fender, pelo menos em 1989. Era um luthier muito considerado e fez guitarras para George Harrison e Hendrix. Estes Fender Jazz Plus, apesar de terem algumas peças Kubicki, sendo já dos anos 90, já não tiveram a mão do mestre. A produção foi curta e encontram-se relativamente baratos. Foi substituido pelo modelo USA Deluxe.

Família Fender que resta lá por casa: Precision 75, 74, Jazz 73, 72, 74 e 74
 

MUSICMAN

STING RAY BASS

   Quando o Fender vendeu a firma á CBS, em 1965, ficou contratualmente impedido de fazer guitarras e baixos durante uns anos. Ainda antes desse impedimento terminar, os sócios do Fender combinaram com ele começar uma nova marca. Assim, em 1971 nasceu a Tri-Sonic, rebaptizada em 1973 como Musitek e finalmente em 1974 como MusicMan. A empresa dedicava-se ao fabrico de amplificadores. O Fender tinha também a CLF que em Junho de 1976 começou a fazer guitarras e em Agosto, baixos, em Fullerton. Os instrumentos eram depois enviados para a musicMan que os distribuía. Foram desenhados pelo Fender e por Forrest White, assistidos pelo Sterling Ball que mais tarde viria a comprar a MusicMan.
    Foram os primeiros baixos activos. O SR Bass vendeu muito bem. Tinha electrónica muito avançada, concebida por Tom Walker. Em Dezembro de 1978 uma versão com dois PUs saiu. Chamava-se Sabre Bass e foi descontinuada em 1991. Problemas na pintura levou á devolução de muitos instrumentos da MusicMan á CLF o que criou problemas financeiros e desentendimentos entre os dois sócios. Em Outubro de 1979 o Fender deixou a sociedade e começou a criar baixos com outra marca em Março de 1980, a G&L. Nesta altura, corpos e braços eram comuns nas duas marcas, até 1981. Para além disso, foram feitos 2500 braços com o truss road direito, o que gerou mais problemas entre as companhias, sendo as vendas muito baixas. Nos finais de 79, o Fender e os sócios já não se falavam. No período de transição, a produção foi assegurada por Grover Jackson que obteve grande sucesso nos anos 80 com as suas marcas Charvel e Jackson. Em Junho de 1984, a MusicMan foi vendida ao Sterling Ball. A produção de amplificadores acabou. Os baixos e guitarras seguiram o caminho que se conhece, continuando a ser instrumentos de referencia e talvez os melhores baixos na relação qualidade/preço. A nova produção começou em 1985. Em 87 surgiu o SR5, o Sterling em 93 e em 2003 o Bongo. Em 2000 a EB fez uma versão mais barata do SR, o S.U.B. que foi descontinuado em 2007 devido á subida dos custos de fabrico. A par destes modelos, a EB tinha uma linha mais barata, OLP, que foi descontinuada em 2009, tendo começado a série Sterling (que nada tem a ver com o modelo Sterling Bass). Depois do sucesso que teve o Bongo, foi introduzida a opção de dois PUs em todos os modelos, com opções HH e HS.  Os conhecidos abafadores da bridge deixaram de ser aplicados em 1994 e depois dum período de transição, em 1996 as pontes passaram a ser mais curtas.
     O StingRay é muito conhecido e preferido pelo seu som gordo usado no rock e no funk, excelente para slap e extremamente bem contruido. A melhor fase, segundo os entendidos é do início dos anos 90, os modelos que tem seis parafusos na fixação do braço.  O som do SR pode ser ouvido em inúmeros marcos da música como toda a obra dos Chic (Bernard Edwards), Billy Jean do MJ (Louis Johnson), toda a discografia da Sade (Paul S. Denman),  Another Bite e outros temas dos Queen (John Deacon), todos os temas dos AC/DC, Rage Against The Machine até 1995, The Cars (Benjamim Horr), Cure, Red Hot Chilli Peppers (Flea), e por aí fora, Roger Waters, Radiohead, Guy Pratt (Pink Floyd), Foreigner, Pino Paladino (actualmente nos The Who) e mesmo no jazz, (Gary Grainger com John Scofield, "Still Warm", disco obrigatório).
      Este SR é de 1994, comprado nessa altura em que não havia internet nem representante em Portugal. Foi o meu baixo principal durante muitos anos. Custou na Sinfonia em Leiria 290 contos, (1450 euros). Serial XXXXXX.

1994

      A Musicman faliu em Outubro de 1983. O Ball comprou a MusicMan em 1984, salvando a marca. Desde o início a trabalhar com o Fender, o Ball preocupou-se com a continuidade da qualidade dos instrumentos. Só em 1987 o logotipo passou a ter o nome Ernie Ball incluído. Este pre-Ernie Ball foi comprado ao Ricardo Duarte, do Algarve, bacano que passou a vida a tocar pelos casinos. O baixo foi comprado no Caius em 1983 e veio em estado praticamente novo, com caixa creme e correia preta. ´`e um dos ultimos exemplares feitos pela marca original. Na altura os MM eram distribuídos com correia preta ou castanha, consoante a cor do instrumento. Incrivelmente, andou meses no OLX por 1000 paus, sem que ninguém lhe chegasse.        


1983

SABRE BASS

      O MM Sabre Bass foi introduzido em finais de 1978. O circuito é diferente do StingRay, assim como o corpo era ergonómico por trás enquanto que o SR não. Os braços são maple, salvo raras excepções que apareceram como opção em finais de 1979. Os PUs mais pequenos que os da SR, o braço bolt-on de 3 parafusos, bridge em ferradura e as cordas entravam normalmente na bridge, ao contrário do SR que eram throu body. Tem 3 switchs para várias configurações dos pickups... o primeiro da frente é um selector de pickups, o do meio faz fase, baixando drasticamente o som (parece inútil) e o terceiro é para dar mais brilho.
       Em 1983 os selectores foram substituidos por um único, mas os PUs passaram a sopbars sem os polos á vista. O pre passou a ser Ernie Ball em substituição do velho MusicMan. Algumas alterações foram sendo feitas. Em 1987 havia a opção do pré de 3 bandas com o pré do SR 5 que surgiu nessa altura. Em 1989 o neck bolt-on passou a seis parafusos, continuando a haver também com quatro e em 1990, o pré passou a ser em formato de meia lua como a alteração do SR5. Em 1991 acabou a produção. ´`e um excelente baixo, mas as opiniões sempre se dividiram, nem obteve nunca o sucesso de vendas do SR.
      O primeiro, de 1980, orignalmente de cor natural madeira, foi pintado de preto e posteriormente sunburst. Esta pintura distingue-se duma original porque geralmente na transição do preto ficam pequenos pontos na passagem.  O meu segundo Sabre é de 1979, sunburst, braço maple, serial xxxxx, estando em estado novo. Os MM Sabre vinham num dos estojos mais emblemáticos, o famoso estojo em lágrima, que de origem trazia uma bolsa com o respectivo logotipo, para guardar o cabo e a correia que acompanhava o instrumento. Só em 2003, a MM viria a ter outro instrumento com dois PUs, o Bongo (mais abaixo). Muitos Sabres tem notórios problemas no braço, provavelmente devido ao conhecido episódio dos braços: na altura do desentendimento entre a Musicman, que distribuía os baixos e a CLF que os fabricava, foram feitos 2500 braços com o trussroad direito. A afinação do trussroad limitada e o facto de os braços serem finos, faz com que muitos baixos tenham algum ligeiro trastejamento. O Leo Fender, aborrecido com a situação entre as duas empresas, começou a fazer um novo baixo, o G & L.

    1979

1980

STERLING

    Em baixo, de 1993 o Sterling lined fretless. Foi um modelo que surgiu nesse ano. Depois do StingRay 5 foi o segundo novo modelo criado pela EB e atenção: não confundir com a linha Sterling recém lançada, que é uma linha barata sob essa designação e não MusicMan. O corpo mais pequeno do que o SR e o braço mais estreito, tendo um switch como o SR5. O Ernie resolveu põr o nome do filho ao baixo. Foi o meu segundo fretless (depois do P Bass 79) e comprei-o em Londres. Serial xxxxxx. Utilizei-o para gravar o tema instrumental "Retorno A Um Sítio Novo" no album dos Sacerdotes de Alquimia. Em baixo, o diagrama.

 

 

1993

BONGO HS 5 piezzo

    O Bongo foi lançado em 21 de Março de 2003 na NAMM e é o primeiro instrumento inovados, em muitos anos. Foi concebido pelos designers da BMW e a electrónica por Dudley Gimpel e Cliff Hugo (baixista dos Supertramp). Foi o primeiro baixo desde a Sabre a ter pickups de neodymium duplos em várias configurações H, HH, HS com e sem piezzo com um pré de 18 volts. Todos são feitos de basswood com braço de maple e escala rosewood, pau ferro no caso dos fretless e pintados.  Tem 24 trastes com inlays de meia-lua. Devido á sua forma é conhecido como "tampa-de-sanita". Tem um range de sons possíveis muito grande, o que faz do Bongo um baixo muito versátil e poderoso. Algumas criticas negativas referem-se á proximidade demasiada do PU do braço, o que pode dificultar o slap. Tem um comprimento maior que os outros baixos o que faz com que seja difícil encontrar algum sem uma batida na ponta da cabeça (!). Foi uma aposta certa da MM. Vários músicos famosos adoptaram-no, como Dave LaRue, Cliff Hugo, John Myung, Phil Chen, Tony Levin. Em 2008 foi lançado o modelo de 6 cordas. Este comprei-o na Alemanha, serial xxxxxx. Configuração HS, com ponte Piezzo com a possibilidade de ajustar o som de cada corda individualmente. Um pre muito complexo, grandes possibilidades de sons, grande baixo.
     Um site não oficial, reune a mais completa informação que há sobre MusicMans. www.musicmanbass.org

BONGO STEALTH HH5

O Bongo Stealth é a versão "all noir" do Bongo. Este tem dois hambuckers, um braço muit confortável e confirma que o Bongo é o baixo mais versátil e com melhor som de todos os MusicMan. Serial F25054. Activo, 18 volts. O pré tem um médio grave e médio agudo, coisa que não me ocorre noutro baixo. É ligar e tocar. Muito bom.

STING RAY 5

       Foi introduzido em 1987 e foi o primeiro modelo completamente novo concebido e produzido em San Luis Obispo pela equipa Ernie Ball. Até esta data, apenas eram feitos os modelos Sabre e StingRay criados pelo Leo Fender. O SR5 foi baseado na guitarra Silhouette e no SR de 4 cordas, com algumas inovações como o PU cerâmico, com cancelamento de ruído e switch para opções de série e paralelo. No início dos anos 90 o PU passou a ser de alnico e em 2005 foi introduzida a opção de 2 PUs em várias combinações de hambucker e single coils, como em todos os modelos. Os numeros de série com 5 dígitos usaram-se até ao 59999 até Janeiro de 1998. Depois o serial passou a ser precedido dum "E", começando de E00001. Este SR5 é o 600º, com o serial 50600, feito em  13 de Janeiro de 1989. A côr original sunburst (versão antiga do honeyburst/mel), a placa do braço ainda sem a marca "MusicMan", a tampa metálica da pilha, pestana normal, acção baixa e grande som tornam-no numa peça especial, representativo de como eram os primeiros SR5. Este modelo é um dos melhores baixos de 5 cordas feito, é um standard e com ele foram gravados milhares de albuns.

G & L

L-2000 1985

    Depois da confusão na MusicMan e ainda mantendo a ligação áquela empresa, em Outubro de 1979, o Leo Fender começou a construir a sua nova marca, G&L, iniciais do seu amigo Gerge Fullerton, companheiro de sempre na Fender e a sua própria. Daí que, embora a G&L seja estabelecida em  Maio de 1980, há corpos com data de 1979.
     Surgiu, assim, segundo ele, o melhor baixo que fizera até então: o G&L L-2000, (feito após o L-1000), com PUs activos, dois hambuckers, a soarem melhor do que a Sabre Bass e o StingRay, segundo ele próprio. Realmente é um instrumento possante, com grande som e com mais algumas inovações. Uma delas são os polos dos PUs ajustáveis (como os Ken Smith), outra a utilização de alumínio nos mastros das cravelhas, de forma a tornar o baixo mais leve. O baixo manteve-se sem grandes alterações, até que 1998 o corpo de  ash passou a ser alder. O braço passou a ser fixado com seis parafusos, sem a placa e a dimensão do corpo teve um ligeiro ajuste.  O modelo ASAT surgiu em 1991 e foi o ultimo modelo em que o Fender trabalhou. Tinha o formato da Telecaster e, no fundo, era uma versão do L-2000. O formato, não é mais do que o dos actuais Fodera Imperial... O Leo inventou mesmo quase tudo. Em 21 de Março de 1991, Leo Fender morreu, mantendo-se em actividade até essa data. O seu amigo George Fullerton com quem fundara a G&L, continuou na empresa como consultor e esta foi vendida á BBE. Os baixos da década de 80 conseguem encontrar-se a bons preços e são, sem dúvida um investimento para o futuro.
     Ao ver que os representantes em Portugal da G&L se situavam na zona, em Pombal, fui até lá para resolver um pequeno problema num selector e conhecer melhor os novos baixos... Bem, o som deste velho de 1988 arrasou. Não admira, porque mesmo batido e esmurrado, é um dos melhores baixos "clássicos" que já vi. Serial B017420, datado de 1985.
      Os baixos foram numerados a partir 500, sendo os primeiros para edições especiais. O primeiro baixo "comercial" tem o numero B000518, na ponte, em 1980. Em 1983, depois do serial B010382, esta identificação aparece também na placa do braço e, depois do B014266, de 1984, aparece sempre neste último local. A partir do numero B021788 já são de 1990 até 92. Depois de 92, já pouco importa... Ou não. Curiosamente, os G&L continuam a ser feitos na fábrica do Leo Fender em Fullerton, um lugar místico.

 

L-2000 1987

      Este  G&L de 1987 tem a particularidade de nunca ter sido tocado e estar completamente novo. Serial BO18796, com a etiqueta da inspecção final, chaves e a etiqueta do preço. 456 dólares em 1989, data marcada. Até a pilha era a original, derramada, felizmente sem causar qualquer dano. Por qualquer motivo não se vendeu. Em vinte anos o preço triplicou, mas só os instrumentos até à morte do Leo tiveram a mão do mestre.
     Uma particularidade é a assinatura do Leo Fender na cabeça do baixo. Alguns exemplares eram assinados também no corpo. Todavia, a Fender acabou por proibir este pormenor, que se manteve entre 1985 e 1989.
Estes baixos têm sido até agora subvalorizados, quando na verdade são grandes instrumentos. É que comparando com os Fenders e os Musicman, que foram revolucionários e inovadores, fica realmente a ideia que o Leo Fender  talvez tenha razão: "G & L  guitars and basses, are the best instruments I have ever made". Basta ouvir.

 

NÚMEROS DE SÉRIE

ANO

NÚMERO

LOCALIZAÇÃO

1980

B000518

Ponte

1981

B001917

Ponte

1982

B008525

Ponte

1983

B010382

Ponte/chapa

1984

B014266

Chapa do braço

1985

B016108

Chapa do braço

1986

B017691

Chapa do braço

1987

B018063

Chapa do braço

1988

B019627

Chapa do braço

1989

B020106

Chapa do braço

1990

B021788

Chapa do braço

1991

B023013

Chapa do braço

1992

B024288

Chapa do braço

YAMAHA

 

MOTION MB

   A Tune Bassmaniac foi um baixo inovador quando saiu na segunda metade dos anos 80. A forma ergonómica e o look moderno foi copiado por muitas marcas. Uma delas foi a Yamaha que lançou o modelo Motion MB em duas versões, MBII e MBIII. Tive em tempos os dois modelos. Era um baixo de escala curta, com duas oitavas e uma cabeça peculiar. 
Foi o meu primeiro baixo novo (tive só mais 2 novos, o SR4 e o Fodera). Estavamos em finais dos anos 80 e nessa altura estava para sair  o melhor baixo Yamaha, o TRB 5P, ainda hoje um dos melhores.

   

TRB 5P

       A Yamaha nasceu em 1887 a vender órgãos e outros instrumentos. O primeiro baixo da Yamaha foi feito em 1966. A Yamaha foi uma das primeiras marcas a ter um baixo de 5 cordas. Jimmy Johnson, baixista de Alan Holdsworth e Lee Ritnour, em 1975 trabalhou com a Alembic um baixo com a 5ª corda que seria um C, mas substituiu por um B feito pela GHS. Em 1982 a Steinberger fez um baixo de 5 cordas headless e em 1984 a Yamaha lançou o modelo BB5000. A Yamaha associou os modelos da marca a artistas conhecidos de forma a melhor promover os instrumentos. O BB tinha o endorsement de Nathan East, os RBX, John Myiung e os TRB, John Patitucci, que teve um modelo seu. Os TRB foram muito usados no jazz de fusão durante os anos 90. Tinham um pickup piezzo instalado na ponte e dois single coils, configuração JP, construção neckthrou com braço em maple e mogno e hardware dourado. Por cá custava cerca de 600 contos (3.000 euros), por alturas de 1992. Era um instrumento caro para a época e, devido aos custos de fabrico, a empresa descontinuou o modelo. Era o primeiro baixo "boutique" da marca. Apesar disso o sucesso foi tão grande que por insistencia do público, a produção foi retomada com um modelo identico, o TRB 5P II que hoje se comercializa.

 

   
KRAMER

THE DUKE

        A Kramer foi fundada em 1976 e foi pioneira no uso de alumínio na construção dos braços. A escala usava um material sintético duro, do género do utilizado nos utensílios de bowling e tinha 0 radius, o que era peculiar nestes instrumentos. A produção de instrumentos com braço em alumínio durou até 1982, altura em que passou a usar a tradicional madeira. O hardware era de qualidade, Schaller, PUs DiMarzio. Em 83 as guitarras vinham equipadas com tremolo Floyd Rose, o que deu vantagem sobre outras marcas. Algumas parcerias com artistas conhecidos como Eddie Van Halen, Ritchie Sambora, Gene Simmons ou Louis Johnson, ajudaram a que a marca obtivesse sucesso em meados dos anos 80 e chegou mesmo a ser a mais vendida em 85 e 86, nesta altura com PUs Seymour Duncan.  A empresa recorreu á ESP para fazer os corpos e braços dos instrumentos. Em 1985 comprou a Spector, fazendo bons baixos até 1990, embora começasse a misturar modelos feitos nos USA e outros importados.    Em 1991, a empresa original acabou devido a problemas financeiros causados pelo decréscimo da qualidade dos instrumentos, os contratos de endorsement que mantinha com os artistas e perdeu ainda uma acção judicial proposta pela Floyd Rose por causa dos tremolos usados nas guitarras. Longe dos anos de prestígio, depois de 1995, Henry Vaccaro, detentor do nome da marca tentou relançar, sem sucesso, alguns modelos. Tentou ainda lançar algumas guitarras com o braço de alumínio com o seu nome, mas não obteve sucesso.
        Este baixo, designado "The Duke", foi inspirado na serie L do Ned Steinberger. PUs DiMarzio, passivo, braço de alumínio, serial # B4878, de 1981.


Alain, o testador oficial, "isto é tudo bom!"

JAYDEE

SUPERNATURAL Mark King

      Este é o baixo que ouvimos nas faixas que popularizaram os Level 42 e particularmente Mark King, o homem que toca e canta ao mesmo tempo como se não fosse nada e que popularizou o slap nos anos 80. Se bem que o slap foi reconhecidamente inventado pelo Larry Graham (Central Station) e divulgado pelo Stanley Clarke ainda nos anos 70. Jay Dee é um luthier britãnico e a marca continua activa www.jaydeeguitars.com.
    O modelo original do Supernatural foi feito em 1978 e foi o usado pelo Mark. Martin Kemp dos Spandau Ballet foi outro dos utilizadores nos 80's, assim como Angus Young com uma JD inspirada no modelo SG Gibson e até o Jaco Pastorius foi apanhado com um JD num raro concerto com Scott Henderson. Mais tarde Mark King viria a passar-se para a Alembic e depois para os Status.     Este é o 05713, de 1985. O braço é um set neck. O corpo é laminado em mogno do Brasil, os PUs SN 2000 são revestidos também a madeira, pré com equalizador de 3 bandas, entradas jack e XLR. Modo passivo/activo. Sinais particulares destes baixos são o led do comutador dos PUs, o revestimento destes em madeira, o que só agora é usado por algumas marcas novas como a Jerzy Drodz, a altura dos PUs é ajustada por 4 parafusos na traseira do corpo e o setneck usado pela Smith, Fodera e Zon. Os J&D Já são clássicos.

   
BASS COLLECTION

      Os Bass Collection eram baixos japoneses importados para Portugal pelo F.Ribeiro, de Lisboa e eram baixos bem construídos, ergonomicamente excelentes e não eram baratos. Alcançaram muito sucesso e ainda hoje são construídos, com outro design, após algumas mudanças na firma e paragens pelo caminho. Pouco se sabe da empresa original, a SGC Nanyo. Eram inspirados pelo design inovador dos Tune Bass Maniac, também nipónicos, que quando surgiram foram inovadores e abalaram juntamente com a Ibanez, os fabricantes americanos.
      Em meados dos anos 80, a Nanyo, fabricante japones de electrónica e uma pequena empresa britanica chamada Sexton Guitar Company fizeram uma linha de baixos chamada SB. Havia de 4 e 5 cordas, activos, passivos, com configuração JJ ou JP, de 24 frets e escalas rosewood e cravelhas Gotoh e com os pickups da Nanyo, SGC.
      Os modelos mais baratos, tinham corpo de alder, normalmente pintados e a linha mais cara, tinham corpos de sen e o SB325 era o de 5 cordas e o SB330, fretless com marcadores. O sen é também conhecido por Hari-gari, ou freixo japones (ash). O formato é muito confortável e a escala excelente. A electrónica não é excepcional, mas a ergonomia e o peso destes baixos é extraordinária e são vendidos a preços acessíveis. Não conheço nada tão bom e tão barato. Os meus tres Bass Collection, SB305 passivo, o SB405 activo, mas que nem por isso toca melhor do que o passivo e o topo de gama SB615, feito do tal freixo. Quando visitei as instalações em Pombal dos representantes da G&L, encontrei lá um BC ainda novo marcado ao preço antigo de 290 contos, 1000 e muitos euros... outros tempos.

SB 305 PWH

SB 405  NBL

SB 615

 

IBANEZ

   A Ibanez derivou de uma companhia de Nagoya, Japão, chamada Hoshino que, em meados dos anos 40 comercializava um modelo acústico com aquele nome. Harry Rosenbloom importou a marca para os EUA e, não se mostrando um nome muito atractivo para o mercado, Hoshino Gakki optou por atribuir á marca o nome de uma companhia que recentemente adquirira, Ibanez. Foi fundada em 1957 em  meados dos anos 60 abriu uma filial em Philadelphia e comercializou cópias de grande qualidade de modelos famosos.  Os modelos americanos estavam cada vez mais caros e com a qualidade a decrescer. A Ibanez impôs-se no mercado com os seus modelos muito bem construídos e a preços mais acessíveis. Com os modelos Musician, Roadstar e Roadster, apresentou ao mercado instrumentos bem concebidos, de muita qualidade, que abalaram os fabricantes americanos, fazendo descer os preços. 
      O modelo Artist usado por músicos conhecidos impulsionaram a marca (Paul Stanley dos Kiss, George Benson, Bob Weir). Em 1976, oficialmente terminou a era da cópia e a Ibanez impôs-se como um grande e inovador fabricante. Nos anos 80, a colaboração com grandes músicos originou alguns modelos que são standard no hard rock e no rock instrumental – Steve Vai, Joe Satriani, Paul Gilbert – ou também no jazz – Pat Metheny, John Scofield, George Benson.
     Os baixos Ibanez são dos mais vendidos no Mundo.

2350B

     Inicialmente a Ibanez fabricada cópias de modelos famosos. Este e o modelo 2350B, de 1973, cópia da Gibson Les Paul, acbamento de mogno, com marcas em madre pérola, braço rosewood.  é especial porque me foi oferecido pelo Berito (obrigado, amigo!), companheiro do Tempo e de outros tempos e era do conjunto do pai, o saudoso Silvério, que bem nos acolhia nos tempos do conjunto RX, de Vilamar.

      O período das cópias da Ibanez situa-se entre 1971 e 1976. Apesr de serem cópias, eram feitas com grande qualidade e estas guitarras e de outras marcas como Greco ou Aria, depressa ganharam boa reputação em todo o Mundo. As cópias tocavam tão bem ou melhor do que os originais. A Gibson processou a Ibanez, mas entretanto esta mudou o formato das suas guitarras e já foi inútil a sentença. Mas devido a este episódio as guitarras e baixos do período das cópias ficaram conhecidas como os modelos "Lawsuit", réplicas dos modelos americanos.
       A época dourada da Ibanez foi de 1975 a 1981. A Hoshino lançou modelos originais no mercado em 1975. No início eram variações subtis das cópias do período anterior, mas a partir de 1978 fabricaram modelos completamente originais como o Weir (assinatura de Bob Weir dos Greatful Dead), Musician e Artist. Estes modelos não eram apenas bonitos, mas também dos melhores e mais bem fabricados de sempre, entre todas as marcas. Músicos lendários divulgaram a marca desde então, Joe Pass, John Scofield, Pat Matheny, Steve Vai, George Benson, Frank Gambale, Scott Henderson, Joe Satriani, Gary Willis, Paul Gilbert, etc, etc etc.
       Até 1975 a Ibanez não punha número de série nos instrumentos. Geralmente a placa do braço apenas tinha a inscrição "Japan". Depois o numero surgiu como ainda hoje é usado, com duas letras, de A a L e seis dígitos. A letra corresponde ao mes de fabrico (A=Janeiro), os dois primeiros dígitos para o ano e os quatro ultimos dígitos para o numero de produção desse mes. Ao longo do tempo e conforme os modelos, tem aparecido colocado em vários sítios, na placa do braço ou mesmo numa etiqueta colada por trás na cabeça. Isto falando dos modelos japoneses. Os instrumentos eram feitos na fábrica de Fujigen, onde em meados nos anos 80 também foram feitas as guitarras sintetizadas da Roland. Perto do fim da década de 80, a Ibanez passou a fabricar instrumentos também na Coreia, China e Indonésia.

ROADSTAR II RB850 de luxe

        O Roadstar II foi um dos primeiros baixos de 5 cordas. Lançado em 1984, tinha como novidade a 5ª corda, a pestana de grafite, o botão do volume push/pull para activo/passivo. RB850 BK (BK de black). O espaçamento entre as cordas é muito apertado. A Ibanez põs 5 cordas no braço de 4, o que dificulta um bocado.  Originalmente os Roadstar tinham hambuckers de 20 polos acompanhando as cordas. Infelizmente este meu vinha alterado. O anterior dono substituiu-lhe a electrónica por pré e pickups EMG configuração P/J, o que o fez escavacar a madeira e põr um guarda-unhas para tapar a obra. Por isso comprei um segundo exactamente igual, mas não foi paixão de muita dura, até porque em casa já estava o topo dos baixos Ibanez da altura:

MUSICIAN MC924

       A série Musician era o top dos baixos da Ibanez. Foi introduzido ao mesmo tempo que os modelos Studio e Roadster. Em 1979 os modelos Musician com neckthrou laminado, corpo "sandwich" e pré activo foram um marco. Havia modelos passivos e activos. Para além de o Sting ter gravado alguns dos temas mais conhecidos dos Police com ele, etambém os Toto e os U2 tem o seu som. Os primeiros Musician tinha o jack na frente e havia uma versão passiva, o MC800 ainda em 1978. O pré tinha um equalizador paramétrico que tornou o baixo conhecido como "Musician EQ". Na tampa da electrónica estava escrito algo como “feito pelas orgulhosas pessoas da Ibanez Japão". E basta pegar no baixo para perceber que tinham bons motivos para se sentirem orgulhosos, mais ainda quando contruiram a peça há 30 anos atrás.

    O modelo foi tendo algumas alterações. Em 1982 o corpo deixou de ser sandwich e passou a ter abas sólidas, a cabeça mais pequena e algumas mudanças na electrónica e pickups. O próprio corpo ergonómico se foi modificando tornaando-se mais pequeno até dar origem á linha Soundgear em 1987. Com a Ibanez a começar a fabricar baixos no oriente por esta altura, perdeu-se a genuinidade da marca. Mas os velhos Ibanez ainda se encontram a bons preços. Quando saiu, o Musician MC924 custava 850 dólares. Há 30 anos. Foram feitos cerca de 350 fretless e alguns hibridos, com trastes até á 8ª e fretless daí para a frente. Este, serial B814054, de Fevereiro de 1981.

 

PL5050 PROLINE

   O Proline, conhecido por PL5050, foi o único baixo da mesma linha de guitarras. Foram fabricados durante muito pouco tempo a partir de 1985, devido a problemas legais com a marca Jackson acerca da originilidade do design. Corpo em alder, braço maple com escala ebony. Foi apenas comercializado em duas cores, preto metálico (gun metal) e pérola. Em 1987 acabou a produção. Os acabamentos eram profissionais, o braço á "Jazz Bass", muito estreito e confortável. O dono anterior alterou-lhe a electrónica para pré e PUs Bartolini. Um excelente instrumento, dos melhores Ibanez. Serial F 7 2 2542, de Fevereiro de 1987.

 

RICKENBACKER

4001 Fireglo 1978

      A Rickenbacker é uma companhia americada situada em Stª Ana, na Califórnia. Foi a primeira empresa a fabricar guitarras electricas (havaianas, no início) em 1932. Foi fundada por George Beauchamp e Adolph Rickenbacker. Fabricavam também amplificadores e, curiosamente, o Leo Fender dedicava-se á reparação dos mesmos. Em 1956 foi lançado o primeiro baixo modelo 4000, que deu origem ao clássico 4001.
        Nos  anos 60, dizia-se que quem não tinha dinheiro comprava um Fender e quem podia, comprava um Rickenbaker. Com um look muito original, é um modelo neck throu com truss road duplo, triangulos de madre pérola na escala, dois volumes e dois botões de tonalidade. O braço é de maple e nogueira. Conhecido através do Paul MacCartney (fase do Magical Mistery Tour e durante os Wings), Chris Squire dos Yes, Geddy Lee (Rush), Roger Glover (Deep Purple), Roger Waters, John Entwistle (The Who), John Deacon (Queen), Cliff Burton (Metallica), Chris Wolstenholme (Muse)....
        A par com alguns Alembic, é o único baixo stereo que conheço, um canal para cada pickup. A Ric tem uma box para tornar o sinal mono, "Ric-O-Sound", que se vendem a bom preço mas que, no fundo é um simples "Y". O modelo de alguns destes artistas é o 4001S que era a versão para a Europa. As cores tem uma designação curiosa, por ex. Jetglo para o preto, Midnight Blue para o azul entre outros, sendo o meu o sunburst "Fireglo". Este modelo foi fabricado entre 1961 e 1981, altura em que foi substituido pelo 4003. Este baixo é de 1978, e o serial na chapa dos jacks é o nº xxxxxx.

 

ZON

LEGACY ELITE

     Este foi o meu primeiro baixo high-end, acima dos 5000 euros. Comprei usado, claro. Serial C12157, modelo único feito propositadamente para o NAMM SHOW 2002, a maior feira/exposição de música do outro lado do Atlãntico. O Legacy Elite é o topo de gama da Zon. O pré e pickups são Bartolini, modelo ZB-6 próprio do modelo Sonus Studio. Tem a particularidade de ser duplo: um pré para cada pickup, 18 volts. É o unico preamp que conheço contruído desta madeira. O som é cristalino. A escala tem inlays góticos, a tampa da electrónica tem o acabamento condizente com o corpo. Uma obra de arte, sem dúvida. Diz o Martin Peters, product specialist da Zon Guitars: "That bass is a special one-of-a-kind piece with celtic chain inlays done by inlay artist Larry Robinson. Legacy Elite Imperial, flame maple top and back with mahogamy core, matching headstock and gold hardware. Namm Show Bass, s/n 612157, retail price $4200 plus $275 for the case. Built in January 2002. The circuit is a dual two band system with mid boost switches, not coil taps".
     Joe Zon fundou a companhia em 1981, em Buffalo, primeiro como oficina de reparação e depois construindo os instrumentos com materiais não tradicionais, misturando a madeira com a grafite. Até ao início dos anos 90, era a Modulus quem fornecia os braços de grafite, que, á semelhança do que acontecia com os primeiros Status, não tem truss road. Não deixa de criar alguma inquietação o facto de haver uma ligeira curvatura no braço que, na inexistencia de truss road, não se pode controlar.  Michael Manring, especialista em fretless e tapping, está ligado á marca desde a década de 90, tendo criado o original Hyperbass, mas outros baixistas conhecidos divulgaram a marca: Bill Gould dos Faith No More, Tim Butler (Psychedelic Furs), John Wetton (Asia), Baron Browne ou Robert Trujillo dos Metallica.

STATUS

STEALTH

      Rob Green é o patrão da Status Graphite, situada em Colchester, na Inglaterra. Desde os anos 80 que a Status vem fazendo baixos originais e de grande qualidade. O Empathy e depois o S2 Classic foram muito vendidos por cá. Actualmente a Status abandonou a madeira dos braços e todos os modelos tem braço de grafite. O Stealth é o topo de gama, todo em peça única, de grafite. Mandei fazer um Status Stealth de encomenda, com pre de 3 bandas, pontos customizados e com direito a iniciais junto á pestana. Extremamente leve e confortável e com muito bom som, com um sustain infindável. O Rob é acessível, responde prontamente aos mails e por 3000 euros é possivel mandar fazer um baixo com todos os pormenores escolhidos. Ergonomicamente são perfeitos, mas o Stealth tem a aresta do controrno da parte de cima do corpo a causar algum desconforto ao poisar o antebraço. O pré é de 18 volts e o som morre á medida que as cordas vão envelhecendo. ´`e um instrumento único, fácil de tocar, com o braço e escala perfeitos. Serial # 12083397.


Virgilito, o maior amigo e companheiro, que sempre me incentivou a querer o melhor...
"Pra ser bom tem que ter peso". O Stealth, por acaso, fica apenas pelos 3 Kg.

EMPATHY

      O Empathy é o modelo clássico da Status, actualmente designado S2-Classic. A diferença é apenas no comprimento do braço de grafite que no Empathy vai até á bridge e no S2 se fica pelo primeiro pickup. O Rob usa madeiras exóticas para as abas do corpo. Não é muito leve, mas é uma peça admirável e ergonomicamente perfeita, com um braço e escala do melhor que há. O modelo original é de 1981 e a Status ainda mantém os modelos headless por que ficou conhecida a marca. Este baixo é de 1999, tem o número 0381860, braço neckthrou de grafite, com phenolic na escala de 34''. Particularidade da marca é o primeiro traste logo a seguir á pestana.
       A parceria com a Trace Elliot, em 1990 fez nascer o modelo T-Bass que a Status fabricou até 1997. Com o falecido John Entwistle dos The Who, Rob concebeu o Status Buzzard, de forma arrojada sugestionando uma ave de rapina, modelo que já tinha feito anteriormente com a Warwick. Também Mark King substituiu o Alembic e o JayDee pelos Status, tendo a Status lançado um modelo do 30º aniversário dos Level 42 com uma série numerada de 42 baixos, modelo Mark King.
    

 

PEDULLA

PENTABUZZ custom 1994

     Os baixos Pedulla tem um design único, muito bonito, com o pormenor da tampa da electrónica sendo parte do corpo. Ergonomicamente muito confortável, com um excelente braço e excelente escala. Os Pedulla ficaram conhecidos sobretudo pelos Pentabuzz, baixos fretless, com revestimento especial da escala.  Michael Pedulla começou a sua oficina de luthier em 1975 em Massachusetts. Os primeiros baixos já eram neckthrou e eram equipados com PUs DiMarzio, cravelhas Grover e ponte Badass. Hoje os Pedulla continuam a ser feitos á mão pelo próprio Michael.
         Este tem o nº4656, é de 1994. O prefixo "buzz" distingue os fretless dos MVP, modelo igual com trastes. ´`e em maple, escala em ébano com linhas e a referida cobertura epoxy (polyester) tipica da marca, PUs configuração PJ Bartolini tal como o preamp, duplo (um para cada pickup, como o Zon Legacy anterior. Control de volume, balanço e tonalidade. Uma peça belíssima....


A tampa da electrónica faz parte do corpo!

PENTABUZZ custom 1990

       Este segundo Pentabuzz tem o pré de 3 botões: volume, PUs, graves e agudos. Serial 2854, feito à mão em 1990. O trussroad é uma inovação da Pedulla, tem dupla acção, nos dois sentidos portanto, não tendo qualquer influência a tensão das cordas. A mesma qualidade no som e na performance. Provavelmente os Pentabuzz são mesmo os melhores fretless do mercado. Este veio das mãos do primeiro dono, o Brad, um bacano dos EUA, foi comprado numa loja que já fechou, em Milford, CT (Dixters).

 

 

ALEMBIC

ELAN 5 custom 1992

      Alembic é uma empresa familiar nascida em 1969 criada por Ron e Susan Wickersham. Era uma empresa de consultoria junto de vários artistas como Crosby,Stills & Nash, Greatfull Dead, Jefferson Airplane. Ric Turner, colunista da Bass Player juntou-se ao Ron e criaram a electrónica. Outras inovações dos Alembic foram o uso de braços de grafite (Modulus), modelos stereo (os Rickenbacker já eram stereo, mas passivos) e um modelo de 5 cordas para Jimmy Johnson. Muitos músicos profissionais contribuíram para a divulgação da marca, Stanley Clarke, desde sempre, John Entwistle, John Paul Jones,  Mark King, Greg Lake. Nunca fizeram qualquer endorsement e os músicos famosos foram tratados como um cliente comum. Só o Clarke recebeu um de borla na comemoração dos seus 30 anos de uso do seu Alembic e o Mark King quando lhe propuseram fazer um modelo com o seu nome.
     Este baixo é uma peça de arte, com pormenores e acabamentos de primeira. ´`e um Elan 5 Custom, com acabamentos únicos. Mica, filha do criador da marca, responsável do furom do Alembic Club descreve o instrumento: o topo é de nogueira (nãu usual nos Alembic) com laminados de purpleheart, escala de 34'', corpo maple, escala customizada em ébano 1.66'' x 2.87'', marcas ovais em madre pérola, acabamento em poliester, pUs AXY56, com control de volume, balanço, filtro paramétrico e "Q suitch", braço laminado de 7 peças. Foi feito para o Bass Centre em Londres em 24 de Junho de 1992, serial # 92H7258. Veio da BassGallery, em Londres.

 

 

 

 

1
FENDER
MUSICMAN
YAMAHA
KRAMER
JAYDEE
G&L

2
BASS COLLECTION
IBANEZ
RICKENBACKER
ZON
STATUS
PEDULLA
ALEMBIC

3
PEAVEY
WARWICK
KUBICKI
ARIA PRO II

4
GIBSON
TOBIAS
WAL
FODERA
KEN SMITH
JERZY DROZD
SCHACK

5
ENCONTROS
6
FX, AMPS E COLUNAS

7

GRANDES COLECÇÕES

 

 

 

GIBSON

GRABBER 1978

    Quem viu o Mike Pope todo orgulhoso da nova Fodera com seu nome, até pode pensar que o pormenor do PU móvel, que desliza ora mais prá bridge, ora mais pro braço, dando possibilidades sonoras diferentes, era genial, inventado pelo engenheiro e excelente músico, cujos preamps vêm desde há uns anos, equipando os baixos mais desejados do Mundo. Mas não. Em 1973 a Gibson  teve esta ideia. O modelo Grabber Bass, com o G-3 (com 3 PUs) e o Ripper (2 PUs) dominaram as vendas da marca, sendo o Grabber o modelo mais vendido na segunda metade dos anos 70.  O Grabber era o primeiro bolt-on da marca e tem um "sliding pickup" que literalmente desliza, manualmente, na sua posição. O som é mais próximo dos Fenders do que os outros modelos. Foi construído para ser um baixo barato, de forma a concorrer com os Fenders e muitos modelos importados principalmente do Japão. Em 1975 um Grabber custava pouco mais de 300 dólares, tal como os PBass.
   As cores usadas no Grabber foram vermelho vinho, ebony, satin natural, maple gloss, nogueira, branco e vermelho candy apple no início dos anos 80. As cores raras são o branco e o nogueira. O PU é um hambucker Gibson, as cravelhas Schaller e a bridge dá a possibilidade de pôr as cordas na própria bridge ou através do corpo. Foi feito um exemplar em 1973 e 219 em 1974. Em 1975 o modelo apareceu no catálogo da Gibson. O corpo era maple em vermelho vinho ou ébano. Em 1975 o corpo mudou para alder e foi o ano em que mais exemplares se fizeram, 2637 baixos. A cor satin natural  juntou-se às duas anteriores. Em 1976 foi acrescentada a cor branca, uma das mais raras. Em 1977 foram introduzidas as cor nogueira e maple gloss que é apenas o verniz sobre a madeira. O Grabber neste ano era feito em maple ou alder.  Em 1982 juntou-se o candy apple red e, em 1983 o modelo foi descontinuado.
         Há um registo detalhado dos exemplares feitos até 1979, tendo sido feitos 808 baixos no ano deste e um total de 6800 neste período. O Grabber passou a ser o modelo de entrada de gama da Gibson, substituindo o EBO e teve muito boas vendas. Os baixistas mais famosos que usaram este Gibson foram o Gene Simmons, dos Kiss, a Suzi Quatro e o Louis Johnson dos Brothers Johnson e que gravou também para o Michael Jackson para quem criou linhas famosas e influentes (Billy Jean, Just Can't Get Enough, etc etc).
 
      Em 2009, foi feita uma edição reissue de apenas 350 exemplares, o Grabber II.

 

TOBIAS

STANDARD 5 FRETLESS

     Isto é um "tubaias" como eles dizem. Michael Tobias  começou a marca em Abril de 1977, em Orlando. O primeiro serial era o 0178 Janeiro de 1978, a data do primeiro instrumento. Depois do nº578, voltou ao nº179. O homem mudou de terra algumas vezes. Em 1980 fechou a Guitar Shop onde fez os primeiros Tobias e foi para S.Francisco onde trabalhou na Sierra Guitars. Aí foram feitos cerca de 50 instrumentos. Em maio de 1981 mudou-se para Costa Mesa, Califórnia e depois para Holywood. Mudou-se mais umas vezes, trabalhou na reparação e foi construindo uns baixos. Em 1988 deixaram de fazer reparações e construíam os Tobias. Tinham tantas encomendas que não aceitaram mais até à NAMM Show de 1990. Perante o crescimento do negócio e a incapacidade de responder a todos os pedidos, vendeu a marca à Gibson em 1-1-90 e o primeiro serial foi 1094. Até ao número 2044, foram feitos na Califórnia com o Mike Tobias e a equipa, até 1992. A Gibson mudou-os para instalações maiores em  Burbank. A equipa chegou a ter 10 pessoas. Diz o próprio Tobias que, até ao nº 2044, apesar de pertencer à Gibson, a equipa fez os baixos da mesma maneira. Mas depois disso, a Gibson mudou a fábrica para Nashville e o Tobias começou a MTD, um ano depois, por obrigações de contrato.


Dois fretless de excepção, o Pentabuzz e o Tobias St

    Este baixo feito no início dos anos 90, no período de transição. Tem PUs e electrónica Bartolini, TCT, de 3 bandas, com o potenciómetro dos médios dentro da cavidade do preamp (como eram feitos na época).

   

     É um fretless com linhas, escala de pau ferro com acabamento sintético, como os Pedulla Pentabuzz. O corpo é ash, neckthrou, com tiras de maple e bubinga. O "Standard" foi produzido na época pré-Gibson, também conhecida por "Burbank CA era". O corpo era preparado em Nagoya, no Japão e o resto da instalação feito pelo Mike Tobias e a sua equipa na Califórnia, embora se diga que apenas o setup e inspecção final era feita pelo homem, o que, se calhar, até é verdade. A produção parou porque o câmbio do yen e o dólar deixou de justificar a produção. Os modelos deste período eram o Standard, Basic, Classic e Signature. Foram apenas feitos 400 Standard e muito poucos eram fretless. Os PUs não tinham radius, sendo planos, como alguns Tobias vintage. Um teste a este baixo saiu na BassPlayer de 1994 . Medidas nut 4,45 cm e no 24º fret, 7 cm; entre cordas, na ponte, 17,5mm.  Este baixo é o numero 111053, o que devia querer dizer: os primeiros dois dígitos são o mês, os dois seguintes o ano e os dois últimos o numero de produção. Não bate lá muito certo, mas, de qualquer forma, é de 91/92 de certeza, um dos 400 feitos.


Aqui, ao lado do primo americano Classic, do Zé Luis, de 6 cordas


    Os Standards feitos no Japão são como os velhos Tobias, nada comparáveis aos posteriores feitos na Korea e pela Gibson em Nashville. O preço em 1991 eram 2.000 dólares. As madeiras não são tão exóticas como as dos americanos, nem tinham opção de acabamentos, mas no resto é igual. Da propria voz do Mike Tobias: "Business was still very good and we were not able to make anywhere near enough basses to fill the orders. Instead of trying to jack up production, we tried to get outside vendors to build for us. We had 110 Model T basses made for us by a very fine builder in New England, and then we got the Terada factory in Nagoya, Japan to make the Standard bass for us. This was and is a great bass, but the dollar/yen ratio killed the project. There were about 400 Standards".

     Em 1983, foi dos primeiros luthiers a fazer baixos de 5 cordas.    Em 1986 Jimmy Haslip tornou-se endorser da marca e em 1987 foi feito o primeiro fretles, um Basic 5. Nesta época foram endorsers também Gary Willis, Chris Squier, Keith Jones e outros. Andrew and Freddy, músicos de gospel, contribuiram para a difusão dos Tobias no género e pelas várias igrejas.

     Em resposta ao crescimento da marca, em 1-1-1990 foi vendida à CMI, da Gibson.Neste período foi lançado um novo modelo, o Killer B, o Growler e o Standard. A equipa continuou a mesma, até que, em Abril de 1992, a Gibson mudou a empresa para Nashville, Tenessee. Passou a fazer um modelo na Coreia, conhecidos por Tobbys (deLuxe e Pro). O primeiro serial da Gibson é o 1094. As madeiras e a electrónica deixaram de ter a mesma qualidade e a marca nunca mais foi a mesma. A Gibson tem uma custom shop onde faz os velhos clássicos. Actualmente todos os Tobias são feitos nos EUA, na fábrica de Arkansas. A Gibson pagou ao Mike Tobias para lá ir uns tempos pra ensinar os gajos a fazer os baixos como antigamente.

     Mike Tobias passou a viver na zona de Woodstock e começou a sua nova marca, MTD. Muitos são feitos na Coreia segundo as suas especificações. E assim se foi a lenda.

 

 

WAL

WAL MK I  1987

     Os WAL começaram a ser feitos em 1976 pela Electric Wood Ltd, uma companhia formada por Ian Waller, um perito em electrónica e Pete Stevens, mestre luthier. A intenção era fazer um baixo que reunisse as qualidades dos Fendes e dos Gibson num instrumento. São o expoente dos fabricantes europeus. Todos os pormenores são cuidados e são dos instrumentos mais caros, feitos na Europa, com valores a começar nos 3500 euros. Mesmo usados valem por aí. Os Wal ficaram muito conhecidos pelo som fretless e muitos instrumentos eram feitos com dois braços, um deles fretless.  Muitos músicos famosos adoptaram o instrumento, como Paul McCartney, Geddy Lee, John Entwistle, Martin Kemp (Spandau Ballet), Colin Bass (Camel) e Mick Karn, baixista dos Japan, falecido em janeiro de 1011 e que, autor de excelentes linhas de fretless foi concerteza um dos baixistas mais influentes da actualidade. Em 1988, Ian Waller morreu subitamente aos 43 anos, de ataque cardíaco. O Stevens decidiu não deixar morrer a marca e assim fez, integrando o luthier Paul Herman na empresa.
    Os modelos Wal dividem-se em Mk1, 2 e 3. O Mk1 era o fabricado na época do Ian Waller. O Mk2 foi originalmente uma versão de 5 cordas com o corpo maior, passando a haver também de 4. O Mk3 é um corpo diferente, outro modelo. Algumas características dos Wal são os botões de alumínio, entrada jack e XLR para o instrumento (como os Jaydee), cravelhas Schaller, PUs Wal com polos reguláveis para cada corda, como os Smith e os G&L. As madeiras utilizadas são o maple canadiano e mogno do Brasil.
      O  Wal tem o serial W2876, fabricado em maio de 1987 e assinado pelo Waller na tampa da electrónica onde escreveu as madeiras utilizadas. Este exemplar viu manufacturado na mesma altura um suplementar braço fretless, feito propositadamente para o mesmo corpo. Uma característica muito interessante que mais nenhum fabricante adopta.

 

FODERA

EMPEROR de luxe 2005

      A Fodera também faz guitarras, mas foi com os baixos que se tornou uma marca de referencia. Foi fundada em Brooklyn em 1983 por Vinnie Fodera, luthier e Joey Lauticella, músico. O Fodera era estudante de artes e foi contratado em 1977 pelo Stuart Spector para os tarbalhos em madeira dos seus baixos no atelier de Brooklyn, Nova Iorque. Ali trabalhou 3 anos e meio e estabeleceu contactos com grandes luthiers como Ned Steinberger. O Ken Smith contratou com o Spector a manufactura de instrumentos personalizados e foi o Fodera que ficou encarregado dessa tarefa, sob a orientação do próprio Ken Smith. O Spector viu-se incapaz de corresponder a todas as encomendas e o Fodera em 1981 passou a trabalhar directamente com o Ken Smith, fazendo o Smith toda a parte electrónica e os ajustes finais de cada instrumento. Em 1982 conheceu Joey Lauricella, baixista e cliente do Smith que lhe põs a possibilidade de desenharem os seus próprios instrumentos.  Em 1983 o Fodera comprou a parte do Smith e fez o primeiro Fodera que, curiosamente era uma guitarra e não um baixo. Ainda antes de ter a sua marca, Fodera já havia desenhado o modelo Monarch, divulgado pelo Victor Wooten. Anthony Jackson que tinha trabalhado com o Ken Smith na construção de um baixo de 6 cordas, foi um dos primeiros clientes que teve o instrumento em 1984. O primeiro baixo de 5 cordas foi um Alembic custom para Jimmy Johnson, mas o segundo foi um Fodera. O modelo Emperor foi o segundo a ser construído em 1984 e é o mais vendido da marca, usado pelo Marcus Miller, Mike Pope, James Genus, etc. O Imperial é baseado no baixo do Anthony Jackson e foi divulgado por Matt Garrison e Richard Bona, entre outros.
     São dos instrumentos mais caros que há... (não falando nos Alembic de 40.000 euros, lol). Os clientes tem pelo menos 2 anos de fila de espera nas encomendas. As madeiras, dizem eles, tem pelo menos 80 anos. Nos ultimos 25 anos foram feitas menos de 3.000 Foderas, o que as torna raras. A marca Fodera é das mais prestigiadas do mundo. Mesmo a série económica NYC é bastante cara. Feitos á mão, não há dois iguais e são feitos menos de 200 exemplares por ano, cerca de uma dúzia por mes. As encomendas feitas no final de 2011 serão entregues na Primavera de 2013. Podia ser pior lol...
     Os PUs variam entre seymour Duncan e EMGs, havendo alguns Bartolini pelo caminho e o pre deste há uma décadda é feito pelo baixista e engenheiro Mike Pope, que detém a sua própria marca.
     Este baixo foi feito em 2002, tem o numero de série registado na Fodera #xxxxx, corpo maple, braço laminado maple,  um dos mais finos e melhores braços de sempre. Nas expressões deles: curly maple top, swamp ash body, Ebony fingerboard with madre of pearl dots. Day of birth 24-1-2002.

    FODERA E SMITH

    O Rainer Bastian www.mrbassman.net é mais um aficionado baixos de topo. Teve inúmeros instrumentos e trocou algumas impressões muito interessantes comigo. Os Fodera e os Smith tem  em comum uma parte da sua história. O Fodera foi empregado do Smith e com ele terá aprendido alguma coisa.  Diz então o Rainer, comparando as duas, com a sua experiencia:
"About Fodera's and Smith's:
     Smith basses have a Smith signature tone - they are very similar in their sound and the production quality is consistently VERY high. If you get a Smith (neck through of course) you will get a Smith tone - outstanding, unique, wonderful mids cutting through EVERY mix and a smooth treble bite, full of attack or growly - just as you want it.
    The Foderas I played so far told me a different story. Every Emperor Deluxe or Elite I played was .... mainstream. Outstanding and very flexible - no doubt - but no character tonewise. On the other hand I recently bought 2 Monarchs with EMGs whih are quasi "exploding" in my hands. Unbelievable ! And surprising ! As I never liked the EMG tone in other basses. This is bass heaven - played through a Epifani UL rig.
    Nevertheless: The production quality at Fodera seems to be much more towards a range between very high and .... quite poor ! I have seen noisy circuits and repairs bad done by Fodera. For every time I think about that I can't belive that Foderas are so expensive..."

 

KEN SMITH

      Os Ken Smith são um marco na história do baixo eléctrico, pela inovação e perfeição que trouxeram á industria. Todos são feitos á mão e com o setup final feito pelo próprio Ken Smith, que os assina na tampa da electrónica. As madeiras são escolidas por ele que detém o maior armazém  climatizado de madeiras para instrumentos do mundo, com cerca de 20 espécies diferentes. Dali faz os seus baixos e vende madeiras para outros fabricantes. Vale a pena consultar a página dos Smiths para ver a descrição das várias madeiras utilizadas nos intrumentos. Tem 8 a 10 anos de permanencia no armazém climatizado até serem utilizadas. As inovações dos Smith foram muitas, desde os straplocks embutidos, os circuitos impressos, o reforço de grafite nos braços, braço largo de 5 e 6 cordas e as medias 128 e 130 da corda si ou a ponte com intodução aberta das cordas. Muitas das novidades dos Smith se tornaram standards na industria. segundo eles, os Smith são o casamento dos métodos de construção dos séculos XVI a XIX e da modernidade.
    O Ken Smith é contrabaixista desde criança, e dedicou-se á construção dos instrumentos. Ainda continua a tocar em orquestras locais e grupos de jazz. Aos 17 anos foi escolhido para o grupo de Horace Silver em 1969 mas, por causa da idade não podia permanecer nos bares nocturnos e foi substituido pelo Stanley Clarke, mais velho um ano. Tocou com vários músicos incluindo o Sinatra, Ginger Rogers e a Shirley Bassey. Ken conheceu Carl Thomson, um luthier conhecido que vivia no mesmo prédio e estabeleceu uma amizade que o influenciou a fazer os seus próprios instrumentos. Como começou a ter pedidos, contratou com a Spector o fabrico dos mesmos, sob o seu desenho. A Spector encomendou por sua vez o fabrico dos mesmo ao Vinnie Fodera. Em 1980 o Smith fez a sua própria oficina que venderia em 1984 ao Fodera. A partir de 1985 os Smith foram feitos num atelier em Pensilvãnia, que o Smith viria a comprar em 1995, encarregando-se a partir daí da totalidade do processo.
    Em 1981 fez o Smith de 6 cordas em colaboração com o Anthony Jackson (que depois se passou para o Fodera). Inspirado também pelo seu contrabaixo italiano do século XVIII, o Ken Smith aprumou-se na construção do baixo eléctrico. A construção do baixo perfeito era um gosto pessoal e não um objectivo de negócio. Tornou-se num negócio muito lentamente, segundo o próprio Ken.
    Os BT começaram a ser feitos em 1981 com 4 botões e alguns switches. Em 1986 os graves/agudos ficaram juntos num botão concentrico que o Smith vendeu também para a Fender e outras marcas. Em 1993 estes botões ficaram separados de novo e foi acrescentado mais um para os médios, ficando 5 botões. Os PUs demoraram 3 anos a ser realizados pelo Ken. Em 1981 com os BT apareceram os primeiros soapbars. Os primeiros 20 PUs foram feitos pelo Bill Lawrence com cobertura de madeira. Nos seguintes o Bill põs revestimento de plástico, pormenor que o Ken não esperava, mas assim ficaram até hoje. A primeira chafarrica do Smith foi em Broklin em 1980, perto da casa dos pais do Vinnie Fodera. Ken Smith já o conhecia desde 1978 da escola. Conheceu por essa altura também o Joey Lauricella que era um músico numa banda de casamentos e afins, o que não era considerado um meio profissional. O Lauricella nunca trabalhou com o Smith. Era apenas um cliente que lhe comprou meia dúzia de baixos e lhe levou alguns clientes. O Smith faz questão de referir que o Fodera era um seu empregado (primeiro á peça e depois a salário) e que nunca fez um baixo Smith, "apenas trabalhou neles". O Smith diz que foi só trabalho de madeira. Todos os baixos foram completados pelo próprio Smith com instalação de electrónica e demais peças. Ali começaram a trabalhar os dois e o Ken Smith fez na Spector alguns baixos, trabalhando aí o Fodera que era na altura estudante de artes - (ver atrás a história na secção da Fodera Emperor). O que é certo é que o Smith, empenhado mais como músico no trabalho de estúdio, vendeu o atelier ao Fodera com todas as ferramentas e madeiras. Nesta fase inicial foram feitos 200 baixos e o numero actual vai pelos 5700.  Em 1993 foi desenhado o modelo BMT. O braço destes tem 7 laminados e foram armazenados e secos durante vários anos antes de ser utilizados num novo baixo. Foram construídos durante 5 anos cerca de 140 baixos. Depois veio o BSR que é uma mistura do BT e do BMT. Tudo começou porque, tendo um contrabaixo excelente, com 300 anos, o Ken Smith propõs-se conseguir um baixo eléctrico que se lhe igualasse. Como ele diz, "o resto é história". Stanley Clarke, John Patittucci, Anthony Jackson, Chuck Rainey, Melvin Davis, Hadrien Feraud, Marcus Miller, Gary Grainger e outros, tem um Ken Smith.
    Os Smith, a par com os Alembic e os Tobias (entretanto vendida á Gibson), foram pioneiros baixos artesanais de alta qualidade e elevado preço. Foram fundamentais no desenvolvimento do instrumento.

BT 5 (Acacia Koa) 1990

    Este BT Custom 5 é de 1991, serial xxxxx, o clássico de 3 botões, com cabeça grande, preta, muito procurado pelo som cristalino que tem. O pré é de 2 bandas, 9 volts.  Este é o topo de gama da época, feito em acácia koa, em extinção, pelo que foi descontinuada a sua utilização. Veio da Alemanha, do fanático dos Smiths, Rainer Bastian que o vendeu com pena, já que tendo muitos Smiths teve muito com que comparar. "Be shure that this is a top Smith 5 - as you can see in my website, I own and owned a lot so I had a lot to compare! The bass is perfectly set up with Smith TCRM-ML strings, very low action and a joy to play. The truss road needs no attention since 7 years. The bass was originally delivered 1990 from Ken Smith to the shop Uli's Musik in Leverkusen (witch doesn't exist anymore). From there it has been sold to a player in Bremen. I am the second owner and bought it in 2002. It was the origin of my deep love for Smith basses".

   O pré de 3 botões é o mesmo dos baixos de 4, que usava o Patitucci, com a diferença que um dos botões é concentrico. Comparando o pré de 3 botões com o de 5 (concentrico separados mais um), diz o Rainer:

    "I found out that between the old two band EQ and the NEW 18V 3 band EQ (with the frequency selector DIP switches inside) the tone lost more and more of its 'freshness'. In the end I sold the Walnut BMT 5 where I installed the new preamp, because I liked the BT5 tone better. Though we are talking about very subtle differences - there is a good reason why several US players look at BT5 basses with the 3 knob layout explicitly for their organic tone.
    And much more important: This BT5 has the fastest neck of all of the Smiths I ever owned - and I owned a lot. Try it to believe it. The thin neck layout is not produced by Ken anymore
. I' am sure that you will love this bass like me - if you like the Smith tone at all. I keep the 25th Anniversary only for it's rarity and beauty, and the BMT5 for it's better balance when hanging on the strap. Tonewise this BT5 is absolutely world-class".


BT 4 1987

     O BT4 veio depois, modelo igual, mais antiga, de 1987. Feita também em Koa. A tampa do truss road tem o "Smith" em madre pérola, pequena, leve, parece um brinquedo, mas é uma obra de arte. Serial 87336, assinada pelo Ken em 31 de Agosto. Os pots fazem lembrar os Alembic.

  BT 5M quilted maple 1995

      Este baixo é de quilted maple, feito em 1995, serial 5MQ128495. O próprio Ken me enviou as informações: é uma edição limitada feita durante um ano e pouco. A escala é em bubinga, sem pontos. Alguns anos depois fizeram uma edição bolt-on deste modelo. O "MQ" do serial é de Quilted Maple de que é feito o corpo. O efeito da madeira é próprio das raízes das árvores.  Vem com o preamp novo na época, com switches series/parallel. A propósito dos prés, faz o Rainer estas considerações, comparando-o com o BT5 anterior:
     
"About the 2 band and the 3 band preamps: Of course the 3-band EQ provides more flexibility in tone shaping due to the mid boost/cut, and the serial switch adds an interesting option too. But from my point of view I never missed them on the BT5 - and I played this bass both on stage and in studio. To be honest I am barely using any EQ shapings. I ever found that a good bass loses evenness and balance in it's tone when using the EQ. I also found the serial option too muddy and mid-oriented - but of course this is dependant from the personal taste.
     Furthermore - I found out that between the old two band EQ and the NEW 18V 3 band EQ (with the frequency selector DIP switches inside) the tone lost more and more of its 'freshness'. In the end I sold the Walnut BMT 5 where I installed the new preamp, because I liked the BT5 tone better. Though we are talking about very subtle differences - there is a good reason why several US players look at BT5 basses with the 3 knob layout explicitly for their organic tone.

  

BSR 5GN 2008

     Os Smiths são viciantes... faltava um Smith dos novos, com o novo pré com switchs interiores para regulação da tonalidade. Este é o BSR 5GN Tiger Maple, serial 5GN5655W08, topo de nogueira, flame maple, escala em ébano macassar. Veio da Martinica. Comprei-o ao Remi Rascar, um bacano frances que frequentemente tem gigs nas Antilhas e lá comprou o Smith que depois viajou para Portugal. O BSR tem um formato de corpo diferente do BT, o primeiro e mais conhecido modelo. Foi introduzido em 1993. Para além destes saíram o BMT e o CR, modelo bolt-on.


O Smith BSR 5GN a dar uma volta com o nosso amigo César Maranhão e a banda Zapping

BSR 4GN (walnut/tiger maple) 2008

     Finalmente um Smith de 4 cordas, dificílimos de encontrar, com o serial 4GN5630W08, acabado em 12-3-2008. Modelo com o novo pre, tal como o de 5 cordas anterior e com as mesmas espeficicações. Os Smith são extremamente bem construídos, peças únicas, com um som único muito orgãnico e com uma voz muito própria. Provavelmente são os melhores baixos do Mundo.

JERZY DROZD

SOUL IV Custom

      O baixo eléctrico é um instrumento recente (1950). Por isso, tivémos na nossa geração, oportunidade de assistir à evolução do instrumento. Se nas guitarras tudo continua mais ou menos na mesma, nos baixos já não foi assim. Desde o primeiro Precision Bass, assistimos a muitas inovações nos anos 80 (que podemos verificar nos baixos destas páginas), e nos anos 90/2000 deu-se uma espécie de nova revolução no baixo eléctrico com o aparecimento de uma série de novos luthiers que fazem instrumentos muito interessantes e diferentes. Estas mudanças, curiosamente, são mais ou menos paralelas à evolução do instrumento em termos de técnicas de execução. Se, nos anos 70/80, o baixo ganhou protagonismo com disco-sound e o jazz de fusão (ou jazz rock, se quiserem), nos anos 90/2000 deu-se um novo salto com o aparecimento de novas técnicas e abordagens do instrumento.
       Os Fenders podem ser a base de tudo, e foram os mais gravados, os mais copiados, os mais comprados, mas, quem fica agarrado só aos Fenders, perde mesmo muito. Os Fenders não são tudo.
       Assim, para além dos Fenders e dos baixos de luthiers que se tornaram grandes marcas há, então, esta nova vaga dos novos construtores, que tenho tido oportunidade de apreciar na Musicmess e nas mãos de alguns amigos. Estes novos baixos são impressionantes sobretudo pela busca de novos designs, mas não só. A participação no NAMM Show em Anaheim, Califórnia, que se realiza em Janeiro, tem dado visibilidade mundial aos novos luthiers que vêm os seus baixos adoptados pelos baixistas de topo. Desta nova vaga  São os Ritter (Alemanha), os Mayones, (Polónia, importados pelos nossos amigos da Casa Abreu, de Tentúgal, aqui ao lado), os Marleaux (Alemanha), Ken Lawrence, (EUA), Leduc (França), uns quantos outros e Jerzy Drozd, The Bass Art Company, de Barcelona, que tem um dos sites mais interessantes www.jerzydrozdbasses.com.  O Jerzy Drozd Barcelona Custom ganhou precisamente  a categoria de baixos, no NAMM Show de 2011.

       Este é um Soul IV, novíssimo, serial # 53511, de 4 cordas, feito em 2011. O corpo em freixo, braço maple, PUs single coil Jerzy Drozd JeDXS com preamp Aguilar OBP-3, com volume, balanço, Eq de 3 bandas e opção passivo, com switchs para activo/passivo e frequências de médios. A construção é irrepreensível. Este exemplar tem acabamentos simples, sem recurso a madeiras exóticas, com a particularidade de os botões e os PUs serem acabados a madeira. Alguns modelos mais cuidados são verdadeiras peças de arte. É levíssimo, com 3,150 Kg, o que o faz muito confortável. Vê-se a influência dos Warwick (ou Spector), no formato do corpo, assim como dos Tobias, na cabeça e no reforço do braço junto à cabeça. Também a bridge é de 2 peças como os Warwick (ou Alembic, se quiserem).  O som é forte sem que os médios sejam muito pronunciados, à maneira dos MusicMan, Yamaha TRB (dos anos 90) e dos Tobias.
      A encomenda de um baixo ao Jerzy demora de 6 a 8 meses. Podemos dizer que estes novos luthiers abrem novos caminhos para o baixo eléctrico, o que é admirável, numa altura em que parece que tudo já está inventado.

SCHACK

CARBON IV

      Andy Schack é um luthier alemão que fez alguns dos mais interessantes e inovadores baixos europeus. O início foi em 1982, mas o homem já não faz baixos como antigamente e ainda continua no negócio, mas com pouca actividade, uma vez que se dedica a uma nova área que nada tem a ver: mecanismos para lagos domésticos de peixes - Koi phish (serão carpas? Que raio... é mesmo intrigante, deixar os baixos para se dedicar a maquinarias de lagos de peixes, www.koi-andreas.de , do Andreas Schack, (telefone 06185-1744), fazendo jus à afirmação de que "há músicos que mais se deviam dedicar  era à pesca".
     Mas, voltando aos baixos, o site está apenas em alemão www.schack-guitars.de e os modelos usam também braço normal de madeira. É uma pequena industria familiar onde o pai, a mãe Eva e o filho Nico dão o seu contributo. O nome Schack é um nome respeitado. Inicialmente trabalhava associado com o luthier Wolfgang Staub. A série Carbon utilizava grafite e havia modelos neckthrou que, não tendo truss road deram alguns problemas. O Carbon é um instrumento realmente diferente. O sistema leva cordas double-end, baseado no Steinberger, com um sustain infindável. A afinação e na bridge, com duas peças como os Alembic e os Warwick (que copiaram da Alembic). O pré, construído pelo Schack é único, com pormenores que só encontramos nos Smiths recentes. Cada potenciómetro de cada frequência, tem um equalizador e já na época (anos 80) alimentava-se de 18 volts. Os PUs são Basstech, feitos pelo Schack e alguns modelos levaram Bartolinis. A electrónica tem reputação de ser das melhores que se fizeram para baixos eléctricos. Só assim se percebe que um pequeno luthier tenha ficado conhecido em todo o Mundo.

 

     Contribuiram para isso o fantástico Kai Eckhardt, baixista do John McLaughlin e o Jonas Helborg que recebeu de prenda um baixo de 10 cordas, construído para comemorar o 10º aniversário dos Schacks. Num artigo da Bass Player de Maio de 1993 está uma foto do bicho de 10 cordas, um carbon B2, afinado EADGCEBEF#B. O Jonas Helborg tinha na altura 26 anos, já tocava descalço, só com as meias enfiadas e era um moço sueco a dar os primeiros passos com as estrelas na Mahavishnu Orchestra. Já vi pessoalmente que o Helbourg, como artista da Warwick é um habituée na Feira de Frankfurt. Já há 20 anos ele por lá andava e foi lá que ele viu o Schack de 10 cordas, um instrumento espantoso cuja corda E é uma 8ª abaixo e, diz ele, vai tão baixo como o E dum Bösendorfer de cauda (!), com muita limpeza. O Andy Schack, volvidos estes anos, está muito interessado em comprar o mostrengo de 10 cordas, que não se sabe onde pára actualmente... Ou não sabia... enquanto escrevia isto, encontrei à venda o exemplar que não resisto a deixar aqui, este e o seguinte os únicos baixos aqui reproduzidos que não passaram lá em casa (e que não vão passar!). Parece que este é o segundo dos dois que foram construídos, este de 1996, à venda por 2.500 libras pelo proprietário inglês que o encomendou.

O Schack não se ficou por este estranho exemplar, mas também...


      Livra! Mas o meu é mesmo este pequeno Schack Carbon B2, é nº 541, um 4 cordas com braço de carbono e corpo em bubinga. PUs Basstech JB40s single coils, pre Schack BC3P. Curiosamente o formato do corpo é muito semelhante aos mais recentes também alemães, Marleaux. Um instrumento diferente, com os graves gordos e um médio "lata" da grafite, que lhe dão um som único.